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Os Idols e suas raízes

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  Que Bad Bunny fez história no Super Bowl 60th, todo mundo já sabe, principalmente nós, latinos. E neste fim de semana, dias 20 e 21, ele vai emocionar o Brasil também. É exatamente por isso que eu quero falar sobre ele hoje. Semana passada, o The Korean Times publicou: “O que o K-pop e Bad Bunny têm em comum: poder da língua, fandom e orgulho da própria cultura”. Então me veio a perguntar: dá mesmo para comparar esses dois movimentos? Existe, literalmente, um oceano entre eles. Um oceano geográfico, político, histórico e ideológico. E ignorar isso é simplificar demais duas construções culturais que nasceram de lugares completamente diferentes. Se já é difícil para nós, brasileiros, entendermos todas as camadas da identidade latina, imagine para um sul-coreano. A arte de Bad Bunny é política. É social. É declaração. Ele não está tentando conquistar o mercado estadunidense, ele está reafirmando que os latinos já são parte dele. A obra dele é resistência, é memória, é af...

Era uma vez um Idol CEO...

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  A gente precisa combinar que direitos trabalhistas e carteira de trabalho não são exatamente o forte da Coreia do Sul , certo? Toda geração do K-pop tem pelo menos um grande escândalo envolvendo uma guerra gigante entre idol e empresa. São conflitos que passam por escalas de trabalho absurdas, pressão estética, violência física e psicológica, contratos abusivos, repasse incorreto (ou até ausência total) de pagamento… e por aí vai. É de conhecimento geral que se tornar idol não é fácil e, principalmente, não envolve apenas boas habilidades de canto e dança. Se talento fosse o foco, Ejae — com Globo de Ouro, Grammy e, se Deus quiser, um Oscar na conta — não teria sido chutada da SM anos atrás. Ser idol exige uma abdicação extremamente drástica da vida comum, algo que muitos ainda romantizam como o famigerado “preço da fama”. Essa ideia, inclusive, é frequentemente usada por fãs mais desequilibradas como justificativa para comportamentos invasivos e até criminosos. A manutençã...

Quando que arte vira expressão real do artista?

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K-pop é um processo. Essa indústria é uma máquina que opera por meio de diversos mecanismos, majoritariamente abastecidos por uma sociedade conservadora. Embora vários grupos atualmente trabalhem na produção das próprias músicas, isso ainda é uma exceção no mercado. Não por falta de capacidade, mas porque o K-pop é, basicamente, um enxoval composto não apenas por música, mas também por dança, audiovisual, conceito, público-alvo e identidade, elementos que, muitas vezes, são ditados pela moral da sociedade coreana. Trata-se de um produto feito para vender e, portanto, projetado para agradar ao público-alvo. “Mas que público exatamente é esse?” Talvez o mais exigente de todos. Desde que o mundo é mundo, o K-pop é dividido em duas vertentes: girl groups e boy groups . E essa não é apenas uma divisão binária de gênero, mas uma verdadeira cartilha de valores. A partir dela, definem-se visual, estilo de dança, timbre vocal, ritmo e melodias específicas para cada um desses grupos. ...

2026: é muito bom ser fã

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Aprendi muito neste fim de ano! Foram cerca de dois meses, com novembro sendo o meu mês de elevação espiritual. Este é o primeiro texto mais pessoal do blog nesta minha nova fase (existem outros mais antigos aqui, se vocês quiserem ler). Ainda assim, meu intuito é sempre trazer um conteúdo que gere o maior grau de identificação possível, obviamente. A discussão que eu quero propor hoje é: qual é a sua relação com os seus hobbies? Fiquei pensando muito nisso ao longo deste ano de 2025. Uma das principais questões de quem produz conteúdo sobre aquilo que gosta é, justamente, parar de gostar dessa coisa. A gente começa a enxergar um hobby como negócio e, o que antes nos trazia paz e relaxamento, passa a gerar ansiedade, desespero para cumprir prazos, metas e números. Eu me dei esse luxo de parar um pouco em novembro. Quem me acompanha deve ter percebido a grande montanha-russa que foi a minha produção em 2025, um ano que, na verdade, comecei bastante otimista. E, depois de tudo ...

Vamos falar de Khemjira?

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Um dos títulos mais aclamados do ano pelos fãs de BL! Tenho muito a dizer sobre essa série. Afinal, era a obra que eu mais aguardava para assistir em 2025. O piloto foi lançado há um ano e, se não me engano, existem teasers e promoções do casal ainda mais antigas. Esse marketing foi muito bem trabalhado pela Domundi. Eu já acompanhava o casal (Keng e Namping). Sabia da participação deles no reality show da empresa e do filme que o Keng gravou com Jeff Satur ( The Paradise of Thorns ). Por isso, minhas expectativas para Khemjira estavam altíssimas. Expectativas essas que, de fato, foram alcançadas, tá? Calma, militante — vocês já acham que eu vou falar horrores da série, mas nem esperam eu construir meu raciocínio rsrs. Em resumo: sim, eu gostei, e foi exatamente o que eu imaginava. O que não significa que tenha sido perfeita! Existem pontos que, na minha opinião, poderiam ter sido explorados melhor, e eu vou trazê-los aqui para vocês no formato tradicional das análises: in...

Vamos falar de Memoir of Rati?

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Antes tarde do que nunca! o importante é pensar positivo, sempre! Hahaha. Afinal, é o meu BL favorito do ano. “Como assim eu ainda não consegui escrever um texto decente sobre ele?”, você deve estar se perguntando. Bom, a culpa, como sempre, é do mundo capitalista, que não me deixa exercer meu ócio em paz (com uma disponibilidade de tempo absolutamente escassa para desenvolver um pensamento crítico razoável além dos meus gritos e surtos). Enfim, para resumir: estamos terminando o mês de outubro e Memoir of Rati segue sendo meu BL favorito do ano. E hoje eu vou provar meus pontos para que todos possam me xingar com propriedade. Normalmente, organizo meu pensamento em: início, desenvolvimento e conclusão da obra. Mas, para Memoir of Rati , vou fazer diferente. Vou falar sobre estrutura e produção , roteiro e mensagem/moral da história . Pense que esse é o tipo de estrutura quase impossível de se construir em 80% das obras BL, então já começamos com um ponto muito favorável. ...

Vamos falar sobre 'Reset'?

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  Demorou, mas cá estamos: resenha de Reset para vocês! Reset , drama adaptado do romance " Reset – O Renascimento de uma Estrela ", de Crystaljade, chegou até nós em junho de 2025, com seus 10 episódios exibidos semanalmente pela iQiyi. Um drama que segue aquela típica estrutura clássica de romance policial investigativo, na qual nos é apresentado um caso que precisamos solucionar junto com o protagonista ao longo dos episódios. Pensando numa estrutura de jornada do herói clássica, teríamos um mentor, um vilão e um interesse amoroso na história dele — e foi justamente nessa organização que Reset me incomodou um pouco. Mas vamos começar pelo começo. Acredito que existam três pontos principais para o sucesso desse BL: Pond, Peter e PeterPond. Calma que eu explico! Começando com o Pond Reset conseguiu extrair o melhor dele de várias formas diferentes — seja pela proposta do roteiro, pela ambientação da narrativa nos anos de 1999 ou até pela dificuldade inerente d...