2026: é muito bom ser fã



Aprendi muito neste fim de ano!

Foram cerca de dois meses, com novembro sendo o meu mês de elevação espiritual.

Este é o primeiro texto mais pessoal do blog nesta minha nova fase (existem outros mais antigos aqui, se vocês quiserem ler). Ainda assim, meu intuito é sempre trazer um conteúdo que gere o maior grau de identificação possível, obviamente.

A discussão que eu quero propor hoje é: qual é a sua relação com os seus hobbies?

Fiquei pensando muito nisso ao longo deste ano de 2025. Uma das principais questões de quem produz conteúdo sobre aquilo que gosta é, justamente, parar de gostar dessa coisa. A gente começa a enxergar um hobby como negócio e, o que antes nos trazia paz e relaxamento, passa a gerar ansiedade, desespero para cumprir prazos, metas e números.

Eu me dei esse luxo de parar um pouco em novembro.

Quem me acompanha deve ter percebido a grande montanha-russa que foi a minha produção em 2025, um ano que, na verdade, comecei bastante otimista. E, depois de tudo o que rolou, percebi que existiam inúmeras camadas e questões que não estavam, necessariamente, relacionadas a mim, mas à minha relação com as coisas de que eu gosto… faz sentido?

Dizer do que a gente realmente gosta é desafiador, principalmente quando não é algo que faz sentido socialmente. Algo que não “condiz” com a sua idade, gênero, estilo ou personalidade, segundo as normas sociais. Nesses casos, é muito complicado conversar abertamente sobre isso ou até encontrar outras pessoas que compartilhem os mesmos hobbies, porque “não temos cara” de quem gosta de x, y ou z coisa.

Nesse ponto, a internet ajuda bastante — desde que você seja apenas o seguidor, e não a pessoa que produz o conteúdo. Porque aí o hobby vira trabalho e voltamos ao problema número um.

Supondo que a gente consiga vencer essa fase e encontre alguém que aparentemente goste das mesmas coisas que nós. Não se enganem, ainda não estamos livres. É nesse momento que surge um dos maiores desafios: ser ouvido entre os seus iguais.

E eu nem estou falando daquela galera que adora criar um “manual de como ser fã”, ou que se vangloria de ter gostado primeiro, lido primeiro, escutado primeiro, colecionado primeiro. Os famosos “desbravadores do mundo pop”, que acham que sabem tudo e que têm o dever delulu de te “guiar” nesse hobby.

Cara… que ranço.

Mas, às vezes, estamos tão desesperados para fazer parte de um grupo ou apenas manter uma amizade de fácil manutenção que nos permitimos ficar calados, literalmente. E então, um hobby que deveria servir para relaxar acaba virando um grande elefante branco na sala.

Minha elevação espiritual de novembro veio acompanhada de uma epifania que dizia: qualquer pessoa pode ser — e tem o direito de ser — fã do que quiser, mas quem é fã de tudo muito provavelmente não é fã de nada.

Vamos analisar isso em duas partes, ok?

“Qualquer pessoa pode ser e tem o direito de ser fã do que quiser.”

Aqui ampliamos o leque, percebe?

Às vezes, o seu colega de escritório, hétero top, viciado em creatina e na garrafa de água de 2L, faz o treino ouvindo Twice. Aquela sua prima patricinha, do aplique de cabelo verdadeiro e unha de gel, passa as noites de sexta-feira com uma tigela de lámen assistindo membros serem decepados em Jujutsu Kaisen. A senhora da sua turma de pilates pode ter um card do Pavel dentro da bolsa.

O mais legal? Existem grandes chances desse pessoal nunca te julgar se você não souber o signo do seu idol, se você assistiu ao anime dublado em vez de em japonês ou se você não briga por ship no Twitter. Pelo simples fato de que é um povo que tem vida social e louça na pia.

“Mas quem é fã de tudo, muito provavelmente, não é fã de nada.”

Aqui entra a questão do tempo livre. Além de nem todo mundo ter as mesmas condições, todos nós temos apenas 24 horas no dia. Existem outras áreas da nossa vida que, em algum momento, vão precisar de atenção e que acabam construindo parte de quem somos. Nós não somos apenas o nosso trabalho, nem apenas a nossa família, nem o nosso estilo ou o lugar de onde viemos. O ser humano é um conjunto de muitas coisas diferentes, logo, não é qualquer coisa que nos define.

Nossos hobbies seguem esse mesmo caminho. Por exemplo: ser fã de Stray Kids é entender que você curte um boy group de K-pop, dentro do gênero pop, dentro da cena musical. Você pode ser multi fandom e gostar de Stray Kids e Ateez, mas dizer que é muito fã de todos os boy groups igualmente acaba soando como se todos fossem iguais. O que lembra bastante aquela frase típica de hater: “esses K-pop é tudo igual”.

Isso também não significa que, para gostar de um, você precise odiar o outro. Isso não faz o menor sentido. Você apenas se dedica mais a um grupo específico: compra álbum, card, sabe os nomes, vai aos lugares mais caros nos shows etc.

E isso pode ser totalmente sazonal. Um dia você ouve mais um, depois troca. Hoje você gosta do Pikachu, amanhã o seu favorito é o Charmander, e está tudo certo. Ninguém tem o direito de te definir pelo que você é fã, nem quem está fora da comunidade, muito menos alguém de dentro dela.

Depois de tanta reflexão, fechei meu ano curtindo uma das melhores viradas possíveis.

O meu “Ano Novo do Vecna” reuniu ótimos amigos, oficina de photocard, drinks, bolo com a cara do Eddie e uma decoração temática para todo mundo entrar no clima do episódio final de Stranger Things. Rimos, choramos e vivemos algo que, para muitos, pode parecer chato, brega, nerd, afetado, infantil, sem noção ou esquisito — mas que, para nós, foi incrível e até revigorante.

No fim das contas, é como diz o ditado: ninguém paga as minhas contas.

Ser fã com os seus amigos é bom demais!


Flah Pacheco

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