Vamos falar de Khemjira?




Um dos títulos mais aclamados do ano pelos fãs de BL!

Tenho muito a dizer sobre essa série. Afinal, era a obra que eu mais aguardava para assistir em 2025. O piloto foi lançado há um ano e, se não me engano, existem teasers e promoções do casal ainda mais antigas. Esse marketing foi muito bem trabalhado pela Domundi.

Eu já acompanhava o casal (Keng e Namping). Sabia da participação deles no reality show da empresa e do filme que o Keng gravou com Jeff Satur (The Paradise of Thorns). Por isso, minhas expectativas para Khemjira estavam altíssimas.

Expectativas essas que, de fato, foram alcançadas, tá?

Calma, militante — vocês já acham que eu vou falar horrores da série, mas nem esperam eu construir meu raciocínio rsrs.

Em resumo: sim, eu gostei, e foi exatamente o que eu imaginava. O que não significa que tenha sido perfeita!

Existem pontos que, na minha opinião, poderiam ter sido explorados melhor, e eu vou trazê-los aqui para vocês no formato tradicional das análises: início, desenvolvimento e conclusão da obra.

Logo de cara, Khemjira apresenta um diferencial muito interessante, com o qual a maioria dos fãs de BL não está acostumada: bons efeitos especiais.

Não entendam esse comentário como um ataque às outras séries, por favor. É só que efeitos visuais não são algo simples nem barato de se fazer; a gente entende que muitas produções não têm o orçamento necessário para entregar algo bem renderizado e finalizado. E está tudo bem.

Porém, isso faz com que nós, fãs, acabemos nos acostumando com o mínimo.

Então, quando vem Khemjira, trazendo jump scares muito bem colocados e um design artístico bem desenvolvido, a gente se surpreende.

Na primeira cena, eu nem sei se me assustei mais com os espíritos ou com a qualidade da produção do ser endemoniado.

Como boa fã de filmes de terror, fiquei muito feliz com essa parte.

Outro ponto incrível da obra foi a dedicação do design de produção (ou direção de arte).

Em relação às locações, não tivemos grandes mistérios: a ambientação acontece em uma vila ao norte da Tailândia, com construções simples em uma região de natureza predominante. Porém, saber que a casa do Mestre Pharan foi construída do zero realmente aumenta alguns pontos em relação ao investimento da produção.

Em Khemjira, não existe apenas a ideia de tornar a casa mais verossímil à novel, mas também a intenção de trazer mais detalhes da região e da religião abordadas na história para a realidade.

Passando para o desenvolvimento, Khemjira conta com 12 episódios — sendo dois deles quase batendo duas horas de duração. Por incrível que pareça, isso não me incomodou muito.

De modo geral, a história é fluida e bem fechada. No entanto, existem alguns pontos que poderiam ter sido mais bem construídos. Foi nesse momento que, na minha opinião, perdeu-se a oportunidade de agregar mais significado e dramaticidade à série.

Mas vamos por partes!

Falando em química, os dois casais estão muito bem. O casal secundário (Tle e FirstOne) apresentou uma energia impulsiva e, ao mesmo tempo, segura e confortável.

Os personagens do tempo presente tinham muito em comum com suas versões da outra vida, o que traz uma intimidade para o relacionamento claramente herdada dessa conexão antiga. Apesar disso, ainda consegui sentir que houve um novo sentimento — eles se apaixonaram mais uma vez nessa nova vida.

E isso é algo que eu gostaria muito de ter sentido no casal principal.

A maior questão sobre a construção do casal principal, na minha opinião, é simples: química não constrói narrativa.

A química entre os dois atores ajuda muito na construção dos personagens, mas ela não é 100% da história.

Para mim, a digressão do Peem salvando o Khem quando criança e o encanto do Khem ao ver o mestre pela primeira vez não me convenceram. O que nos faz pensar que eles não se apaixonaram nesta vida, sendo o relacionamento apenas uma continuação da relação passada.

Outra coisa que, para mim, é fundamental: o protagonista precisa ser o protagonista.

Khemjira é o nome do personagem, mas senti que a história dele serviu apenas como base para o desenvolvimento dos outros.

Temos as questões internas do Mestre bem apresentadas, as motivações da vilã desenvolvidas, e até o casal secundário ganhou uma construção mais rica. Já o desenvolvimento do Khem ficou raso.

Quando mencionei a perda de significado e dramaticidade, é aqui que se aplica.

O cenário é o seguinte: um jovem que, desde pequeno, sabe que vai morrer aos 21 anos. A partir disso, temos duas opções possíveis — ou ele se conforma com essa situação e segue a vida desviando dos espíritos numa boa, ou ele luta para tentar reverter a maldição.

Fica claro na narrativa que ele escolhe lutar, e a primeira pergunta que me vem à cabeça é: pelo que ele tem vontade de viver?

E é bem aqui que o drama não me convence.

Você tem 21 anos, faz faculdade, está fazendo amigos, conhecendo outras realidades… era para o Khem nutrir uma vontade de viver enorme e crescente ao longo da trama, e não é o que acontece. Ele fica preso à ideia do destino da vida passada, do amor não vivido, e tudo passa a girar em torno de um cara que ele acabou de conhecer.

Perderam-se oportunidades para diálogos mais profundos sobre sonhos, projetos e até pequenas coisas cotidianas que seriam tiradas de um jovem de 21 anos.

Eu queria aquele egoísmo necessário e fundamental do:

“Eu não quero viver só por sua causa. Eu quero e preciso viver por mim e por todos os meus sonhos.”

Acredito que uma história de amor construída na valorização da individualidade de cada um seria muito mais rica. Inclusive, isso conversaria muito com a questão central da maldição, já que o grande rancor de Ramphueng é justamente a falta de valorização das relações pessoais.

Ela foi tratada como mais uma entre três mulheres cujo único objetivo na vida era dar um filho ao seu senhor.

Khemmika morreu literalmente de solidão.

Tudo isso para, no fim, a luta do Khem girar em torno de um boy.

A conclusão da obra é o fechamento de um conto de fadas, algo que agrada a todos os corações românticos e atende aos pedidos dos fãs desesperados. O que torna o “inesperado” até um pouco óbvio.

E tudo bem. Particularmente, é o meu tipo de final preferido: a beleza na inocência do “felizes para sempre”.

Como eu disse, Khemjira me entregou exatamente o que eu esperava, sem sair do quadrado. A perfeição linear de um conto de fadas da Disney da década de 1930, com a Branca de Neve fugindo da bruxa e sendo salva pelo beijo do príncipe encantado.

Talvez eu quisesse ter visto mais da força da Moana e da sede por liberdade da Elsa? Sim.

Mas, no fim do dia, o final feliz padrão também aquece o coração.

 

Nota final: 9,0

Comentários

  1. Achei bem interessante suas colocações e concordo com algumas delas. Mas fiquei pensando sobre algo que disse, sobre o Khem não ter uma motivação. Acho que dps da morte da mãe dele ele meio q aceitou o karma e so tava vivendo, sem ter uma perspectiva de lutar contra em si. E depois que ele conhece o Jet que cria uma centelha de querer viver sabe? Ja que o jet promete a ele que vai ajudar e tals. E acho q história começa a girar a partir dai, com o poder da amizade e tudo mais( tem ate dialogos sentimentais importantes entre os amigos). Mas concordo sobre o fato da serie se chamar Khemjira, deveria ter explicitado mais ele em si. Mas no geral eu amei a serie. Fugiu um pouco do que a indústria tem colocado e apresentou qualidade. Ps.: Não costumo comentar mas adoro ler suas resenhas rs

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    1. Concordo com você! Acho que a relação mais importante e pessoal do Khem dentro da série é justamente com o Jet. Mas eu acho que eu queria ver mais o Khem em si. Ele é artista, participa das atividades da faculdade, depois acaba se dedicando a área acadêmica... gostaria de ter visto mais ele fazendo planos e mostrando tudo o que ele planejou para vida e que tem medo de perder por causa da maldição. Ele de fato conseguiu conquistar todos os seus sonhos, como aparece no último episódio, mas esse "drama" foi uma riqueza de roteiro perdida, na minha opinião. PS: Adoro quando vocês comentam!

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  2. Concordo com absolutamente tudo que disse. E confesso que não havia percebido que a dinâmica do casal principal teve essa falta. Mas tava na nossa frente, foi como se o Mestre simplesmente tivesse aceitado que a missão dele era salvar e amar o Khem. Tanto que ele desenvolveu um sentimento repentino que ninguém sabe de onde veio.

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    1. Exatamente. Para uma pessoa que começa sabendo sobre as vidas passadas e focado em não construir uma relação intima com o Khem, o Peem acaba se apaixonando meio que "do nada". Como a própria série apresenta vários flashbacks e digressões, quem sabe um texto a mais sobre talvez... uma paixão escondida do Peem antes conhece-lo, sonhos que ele tem com a Khemmika, ou até saber que ele já vigiava o Khem de longe através do que o Jet conversava com ele sobre a faculdade. Nem precisava ser um arco extenso, apenas um nó para amarrar esse sentimento todo já valeria, eu acho.

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  3. Fora as atuações, o que mais me pegou foi o fato de retratar a cultura, o misticismo e a história de uma forma profunda como nunca antes havia visto. Tanto que pra entender uma cena ou uma fala tive que fazer umas pesquisas. kkkkk Também me impressionou o figurino, outro reforço da cultura local. Imagino como deve ter sido assistir para os próprios tailandeses., vendo sua cultura, suas crenças, seus sotaques representados e apreciados mundo à fora.

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  4. Li a novel e tem alguns pontos de diferença que eu gostaria que tivessem trazido para a série, como o fato do Kem querer viver sim, ter sonhos e planejar o futuro, inclusive, depois de quebrar a maldição, ele primeiro termina a faculdade, trabalha no que gosta, se realiza pessoalmente, e só depois de anos vai casar com o Mestre (todos esses anos são um namoro à distância, que serve de pano de fundo para o amadurecimento do casal). Porém gostei de uma mudança que a série trouxe, que foi o fato do Mestre querer ficar com o Kem depois que a vovó morre. Na novel, o Mestre não só deixa Kem ir, como quando o Jet procura ele para pedir que faça algo ele ainda responde de maneira grosseira, que nem era pra o Jet ter levado o Kem lá, e ainda perguntar se o Jet vai esperar o Mestre morrer para parar com isso. Na novel ele só vai salvar o Kem depois que o Deus da Montanha prova para ele que a culpa da morte da vovó não foi do Kem. Isso eu achei péssimo, e gostei que a série mudou.

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    1. Eu não cheguei a ler a novel, mas concordo com você. Esse amadurecimento do casal realmente faria muito mais sentido. Em relação à morte da vovó, não sei se tão contra assim a essa visão da novel. Acho que faz sentido um certo rancor do mestre, até porque, ele pode até ser muito poderoso, mas ele ainda é muito jovem. Então seria interessante ver essa fragilidade ou "infantilidade" dele. Claro que ia depender da abordagem, mas traria mais humanidade para personagem!

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