Vamos falar sobre 'Reset'?


 

Demorou, mas cá estamos: resenha de Reset para vocês!

Reset, drama adaptado do romance "Reset – O Renascimento de uma Estrela", de Crystaljade, chegou até nós em junho de 2025, com seus 10 episódios exibidos semanalmente pela iQiyi.

Um drama que segue aquela típica estrutura clássica de romance policial investigativo, na qual nos é apresentado um caso que precisamos solucionar junto com o protagonista ao longo dos episódios. Pensando numa estrutura de jornada do herói clássica, teríamos um mentor, um vilão e um interesse amoroso na história dele — e foi justamente nessa organização que Reset me incomodou um pouco.

Mas vamos começar pelo começo.

Acredito que existam três pontos principais para o sucesso desse BL: Pond, Peter e PeterPond. Calma que eu explico!

Começando com o Pond

Reset conseguiu extrair o melhor dele de várias formas diferentes — seja pela proposta do roteiro, pela ambientação da narrativa nos anos de 1999 ou até pela dificuldade inerente de interpretar uma metalinguagem, com atores interpretando personagens que são atores. Foi um trabalho que exigiu um conjunto de habilidades muito interessante, que colocou à prova o talento dele. E, diante de todos esses desafios, ele ainda teve que desenvolver um protagonista que… não tem profundidade para ser um protagonista.

Na minha opinião, o papel do Armin é muito raso.

No fundo, não sabemos quase nada dele. Temos uma ideia das pessoas com quem ele convive e do tipo de dificuldade que ele enfrenta, mas não sabemos até que ponto esse pessoal está, de fato, atrelado emocionalmente a ele. Toda vez que surgia um assunto mais íntimo relacionado a outro personagem da vida do Armin, ele aparecia de relance, como se fosse só um detalhe.

Exemplo: a tia da barraca de comida passou mal e morreu na primeira vida dele. Agora, nessa nova vida, ele decide cuidar melhor dela. Essa atenção de fato acontece? Qual é a relação dele com essa senhora? Ela cuidou dele na infância? Era só uma conhecida? Qual foi a ingratidão real que ele teve na vida passada, além de não atender a um chamado durante um trabalho importante?

A mesma lógica vale para o seu melhor amigo. Inicialmente, ele ajudava o Armin com a carreira, e na vida antiga se afundou após a morte da tia. Isso foi mesmo culpa do Armin? Qual a relação entre eles depois disso? Armin prometeu algo a ele? E, principalmente: além das aulas de chef de cozinha, que outras ações do Armin, nessa nova vida, impactaram na vida desses outros personagens?

Tudo isso para dizer que, a meu ver, o famoso “fica subentendido que...” virou a base do desenvolvimento do personagem, deixando a história dele fraca. MAS o Pond conseguiu entregar uma conexão entre esses personagens que talvez outro ator não conseguiria. Ele se saiu tão bem que, até nas cenas meio cringe, conseguiu construir algo mais ultrarromântico do que de fato piegas.

Agora, falemos do Peter — que interpretou o personagem mais gado já criado no universo BL!

Aqui eu apresento uma teoria muito interessante (posso estar chovendo no molhado, e alguém já ter comentado isso — confesso que ainda não pesquisei outras resenhas ou comentários sobre Reset), que seria uma das perguntas da minha pauta se eu tivesse a chance de entrevistá-los algum dia.

Minha conclusão final sobre o Thada é que ele sempre foi o verdadeiro protagonista. Armin, na verdade, seria o “mentor” e o interesse amoroso dele, uma alegoria que exerceu influência sobre o crescimento do real protagonista. E acho que o Peter soube entregar muito bem essa sutileza do “amadurecimento emocional” do Thada.

Vendo por esse ângulo, saber os detalhes da vida do Armin, seus amigos, familiares, relacionamentos antigos — de fato, não importa, já que a história não é sobre ele. Se essa minha visão for válida, seria uma ideia genial... se tivesse sido mais bem apresentada. Mas acabou tudo ficando muito subjetivo.

Claro que eu sou muito doida e procuro pelo em ovo. Talvez o pessoal nem tenha questionado isso, principalmente por conta de outro ponto fundamental da obra: PeterPond e a química absolutamente surreal, que conseguiu mascarar qualquer problema de roteiro.

Ou seja, para fazer essa resenha mais detalhada eu demorei muito e fui duas vezes mais insuportável.

Eu poderia escrever um segundo texto com vários parágrafos só para descrever todos os pontos positivos do Thada e como o Peter entregou um trabalho excelente. Mas acho que todo mundo já sabe disso. O Peter colocou nossa régua de padrão de relacionamento em uma posição que, provavelmente, fará com que nenhum fã da série consiga casar um dia.

Então, vamos para outras questões!

Primeiro: o exagero leva à falta de criatividade.

Thada serviu o ideal de namoro em todos os setores possíveis de um romance romântico fictício. Da delicadeza do daily life perfeito à ostentação de um sugar daddy, tudo foi apresentado de forma primorosa. Porém, uma hora esse exagero satura e acaba tomando tempo de tela que seria mais bem aproveitado no desenvolvimento de outros núcleos da trama.

Exemplos:

O arco dos antagonistas ficou um pouco aquém. Começamos com aquele brilho investigativo maravilhoso, com vários suspeitos para o crime de envenenamento do Armin — inclusive com personagens que seguem bem os arquétipos tradicionais: o rival de cena, o melhor amigo talarico, o namorado traidor, e por aí vai. De início, vemos cada um ser descartado como suspeito numa dinâmica até interessante, mas em um dado momento isso se perde.

E acho que esse momento coincide com o início dos hots.

(Que, por sinal, é quando o drama começa a ganhar mais hype também, mas esse é um papo muito complexo para um único parêntese.)

Acho que, quando começa de fato a ação do Ren junto com o Thiwthit, tudo fica meio jogado. Acho, sim, que o Ren tinha potencial maior como vilão, já que, em teoria, seria um pouco mais desenvolvido do que os outros suspeitos. Mas acabou sendo só um moleque mimado que fugiu de forma muito bizarra, sabe-se lá pra onde.

Thiwthit é a minha maior dor no drama, porque ele era para ser muito mais. A primeira cena que mostra o possível interesse romântico dele pelo Thada foi genial e explicaria muito sobre seu temperamento e sobre por que ele foi tão longe. Mas esse desenvolvimento narrativo foi reduzido a copos de uísque num cativeiro, porque estávamos acompanhando o vigésimo show pirotécnico do Thada, mostrando o quão gado ele consegue ser com os recursos limitadíssimos da década de 90.

E o desfecho?

No final, recebemos todas as explicações possíveis de todas as dúvidas guardadas para o episódio final: descobrimos que foi o Thiwthit quem mandou envenenar o Armin por ciúmes, e que o Armin só voltou no tempo porque o Thada pediu com jeitinho pra Deus. Confesso que isso me pegou demais.

De modo geral, é um drama que flui bem e entretém. Temos uma ótima química entre os protagonistas, belas cenas de hot e uma trama interessante com um vilão surtado.


Nota final: 8,0

Comentários

  1. Como sua escrita detalha, esclarece, aquece, diverte e enriquece!! Como sempre, sua opinião é riquíssima. Pond e Peter trabalharam muito, muito bem! Me atrevo dizer que esse foi o trabalho do Pond onde ele mais pôde mostrar seu talento

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  2. Hoje pensando nesse bl (ainda to no ep 7) imaginei um plot que seria muito mais interessante (na minha cabeça): achei TD muito sasaeng, mandando presentes e seguindo Armin por 20 anos. Ele poderia muito bem ter matado Armin por frustração e Armin ter voltado à vida pro Thada poder ter uma redenção e perceber que um idol é uma pessoa normal, nem precisariam ficar juntos no final. Pra mim faria muito mais sentido, ainda mais pela onda de sasaengs... Mas vou terminar de assistir e depois volto aqui haha

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  3. Nossa, que leitura gostosa.. simples, de fácil entendimento e parece que estamos conversando! Estou gostando muito de ter mais essa forma de conteúdo.
    Quanto à serie, você foi cirúrgica! Foi sim uma delícia ver os PeterPond, inclusive tinha um certo preconceito sobre a atuação do Pond por conta do FourEver You, mas ele me surpreendeu bastante agora! Porém, pra mim, faltou um pouco de conteúdo, tinham vários plots possíveis em relação à investigação (eu adorei a ideias da Flávia Novak do comentário anterior) e que simplesmente deixaram passar. Achei a nota até que bem favorável 😅

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    1. Assiste 180 degree com o Pond, eu acho que a interpretação fora da curva é 4ever, ele é um ator muito mais intenso

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  4. Eu gostei muito do seu ponto de vista e acho que as vezes, pra todas as séries, falta ep pra deixar tudo mais esclarecido, mais alinhado. Talvez o formato 16 eps seja o mais correto pras histórias terem a profundidade que a gente espera.
    Queria deixar uma opinião um pouco diferente sobre o desenvolvimento da série quanto a postura do Thada: acho que o fato dele ser tão apaixonado, tanto na primeira vida quando ele só se permitiu a amar a distância, sem interferir na vida e nas escolhas do Amin, quanto na segunda vida em que o Amin puxa ele para viver esse romance foi o que tornou a série tão insuportavelmente romântica kkkk. Faz tempo que a gente só vê relacionamentos que precisam de um motivo, uma justificativa, uma contrapartida, e no caso deles eles só se amam e pronto, torcem um pelo outro, querem o bem um do outro. Acho que as vezes a gente esquece que o amor pode ser simples assim, sem segundas intenções.
    Quanto aos atores, não me lembro de ter visto nada do Peter, mas o Pond tem uma outra série incrível que ninguém fala muito que é "180 degree longitude passes through us", acho que o Pond se dá melhor com papéis mais maduros, onde ele pode mostrar mais da sua capacidade de ator. Acho que em 4ever you, por ser uma novel muito famosa, cheia de fã dando pitaco, fica mais limitado para se trabalhar um personagem.

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  5. No geral eu gostei muito da série, porém, uma coisa que me incomodou na série foi ter sido o Thiwthit que mandou envenenar o Armin. A gente descobre que ele tinha sentimentos pelo tada, porém no tempo presente o Tada e Armin nem se conheciam, o Tada nutria o sentimentos pelo armim de longe, então em que momento o Thiwthit descobre isso, achei que faltou mostrar mais sobre isso, pra que fosse possível ente ter melhor a motivação dele, achei meio jogado essa parte. Porque no tempo quando o Armin volta, a gente consegue entender, porque ali o vilão está convivendo com o Armin e talento o sentimento surgir, mas como isso aco teceu no tempo presente se o Armin nunca conheceu o Tada. Da forma que foi mostrada na série me pareceu uma motivação fraca para matar alguém, pela falta de explicações sobre.

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