Olá, vamos falar sobre 'The Next Prince'?








Meu povo, vamos falar de The Next Prince?

Dei uma pesquisada aqui e, pelo que entendi, a série dividiu um pouco as opiniões. Tem muita coisa com a qual eu concordo, outras que acho que forçaram um pouco a amizade, mas acredito que consegui compilar toda a minha humilde opinião aqui. Espero que gostem deste novo formato de resenha!

Começando do começo! Rs.

The Next Prince é um drama tailandês romântico inspirado em uma novel de mesmo nome, escrita por dois roteiristas: CEO e Ennice. Com 14 episódios de, em média, 60 minutos, estreou em maio de 2025. Sim, acompanhei todos os episódios religiosamente toda semana, e no meu perfil no Instagram tem react em vídeo da maioria deles!

Uma coisa indiscutível nesta série é o seu impacto.
Tudo é grandioso: o set é muito bem feito, as cenas são muito bem filmadas, o figurino é ostentoso, os atores são os mais populares. Foi um trabalho regado a expectativas – muita espera e algumas tretas, inclusive – e me atrevo a dizer que boa parte delas foi devidamente atendida.

Acredito que muito disso se deve à escolha da novel, uma história sóbria, com uma narrativa de fato interessante. Temos que concordar que nem sempre (na verdade, em 90% dos casos) os roteiristas dos dramas BL tailandeses escolhem boas histórias, o que demanda um esforço muito maior na adaptação da obra para torná-la, digamos, “passível de exibição” nos serviços de streaming ou na TV aberta.

Infelizmente, não tive tempo de ler a tradução da novel The Next Prince – e meu tailandês de centavos não me permite ler o exemplar físico original que eu tenho. Quem sabe um dia, né? Porém, pelo que acompanhei nas redes sociais, o pessoal que leu curtiu bastante a adaptação. Então, vou dar um ponto positivo por isso – ponto positivo por falta de treta online.

Mas voltando à montagem...

Achei tudo muito coerente e caro (como já mencionei, esse foi um ponto crucial para a obra), e honestamente, neste caso, o investimento era extremamente necessário. Uma história que traz quatro reinos diferentes, uma disputa entre príncipes e princesas, toda a descrição de uma monarquia independente e tecnológica – um universo que é quase uma Wakanda tailandesa – precisa de recursos, cenários, figurino e props à altura, justamente para a produção não ficar tosca.

Algumas construções gráficas mais específicas me incomodaram um pouco: os brasões, o layout do “breaking news” das notícias, os hologramas. Mas, ainda assim, não é nada que fira o visual da obra como um todo.

Particularmente, gosto da abertura longa, na pegada Game of Thrones, e da trilha sonora com música clássica imponente. São elementos que também fazem sentido com os cenários – principalmente os internos – de cada um dos castelos, que têm uma ambientação muito interessante, condizente com a personalidade de cada reino.

Em relação à construção dos personagens e à trama, como tudo na vida, temos pontos bons e ruins.
Gostei da construção do casal principal, e aqui temos duas questões muito interessantes a pontuar. Acho que essa atmosfera leve de “enemies to lovers” criada para Zee e Nunew foi excelente e, principalmente, saudável. Cada um com suas questões, passado e visões de futuro, tentando entender o outro. Uma relação que, com o passar dos episódios, evolui para um sentimento muito bonito.

Outro ponto importante foi a qualidade da atuação dos dois.
Não me entendam mal (sem hate aqui, galera!), mas eu já esperava um bom trabalho do Nunew, considerando o que ele já havia apresentado em Cutie Pie e sua postura nos palcos. Lembrando que The Next Prince é seu segundo grande projeto, então ele ainda é um “novato”, digamos assim.

Agora, o Zee me surpreendeu muito. Não que eu não esperasse nada dele, mas é que, pela descrição prévia do personagem, fiquei com aquela ideia de “soldado macho alfa” na cabeça. Mas ele conseguiu acessar uma sensibilidade tão bonita, com uma atenção aos detalhes surreal. Detalhes que se refletiram muito bem, principalmente nas cenas hots da série – honestamente, as melhores já feitas em BLs.

Tecnicamente, o personagem do Zee é muito mais profundo do que o do Nunew, apesar de o príncipe Khanin ser o protagonista. Acho que o Charan personifica a história de Assavadevathin, ou seja, ele ilustra o que o reino é: da rigidez e honra até a esperança e delicadeza nas relações. Já Khanin é o questionamento, o choque entre aquele costume antigo e visões mais “modernas” e ocidentais.

Quero abrir um parêntese aqui, se me permitirem um momento mais filosófico.
Acho que esse choque de culturas é algo muito interessante. Khanin começa a história com aquela visão eurocêntrica de sucesso, símbolo de avanço político e tecnológico. Uma postura que vai se moldando e se transformando com sua vivência em Emmaly. Tudo isso mostra, de certa forma, que existem outras alternativas de viver tão ricas, organizadas e produtivas quanto o modo de vida europeu. Mas esse ponto entrou em conflito no final, e eu já explico o porquê mais adiante.

Voltando!
Também há uma complexidade de tramas que se unem à questão principal do enredo: a sucessão do trono de Emmaly.
Uma ideia incrível. Mas será que foi de fato bem desenvolvida?

Cada reino tinha suas questões secundárias:

  • Bhuchongpisut: trata da luta pelo poder e da opressão que o sistema pode trazer. Aborda o abuso da hierarquia e a privação de liberdade.

  • Davichmetha: discute questões feministas, liberdade e igualdade de poder.

  • Meenanagarin: apresenta questões ambientais e debate o preço que o povo e a natureza pagam pelo avanço da nação – o que, no fim, acaba sendo um conflito quase direto com Assavadevathin. Ou seja, é praticamente a mesma problemática para ambos.

Acho que o fechamento de arcos é minha principal crítica a essa obra.
Tivemos temas muito importantes apresentados – inclusive abordados diretamente pelos príncipes e pela princesa durante a competição –, mas que acabaram morrendo na praia.

Mas vamos por partes, dividindo pelos atores.

A princesa Ava, do reino Davichmetha, trouxe uma das questões mais incríveis e pouquíssimo abordadas dentro do universo BL. Porém, a discussão também morreu na praia. Com a desculpa de “não preciso me provar para ninguém” – se eu pudesse chutar, parece manipulação do pai dela para encerrar aquilo ali mesmo –, ela desiste de competir pelo trono, deixando o embate final nas mãos dos dois homens. Eu entendo essa fala empoderada e altruísta, mas, nesse momento, ela é uma governante com planos e promessas que impactam um povo. É aquela coisa: não é sobre ser bonita no vestido de princesa, mas sobre defender uma visão de futuro. Na minha perspectiva, toda a luta dela caiu ali.

A mesma coisa vale para o príncipe Ramil, de Bhuchongpisut. Outra discussão interessante que ficou sem resolução. Na verdade, acho que foi até pior, porque houve um aprofundamento considerável na relação do casal Ramil e Paytai, interpretados por Jimmy e Ohm. Vários temas relevantes e pesados foram “resolvidos” com um abraço. Em uma análise mais criteriosa, talvez possamos até considerar uma certa banalização desses assuntos. Um final muito aquém do esperado, considerando que esse casal entregou uma performance excepcional – até melhor do que a do casal protagonista em alguns momentos.

Por fim, o arco da questão ambiental foi o melhor desenvolvido de todos, mas isso só porque a trama central estava diretamente conectada a ele. É um tema relevante e necessário, que talvez tenha sido abordado de forma quase infantil, mas didática – o que não é necessariamente ruim. E até combina com o “sonho de um mundo melhor” de um jovem como Khanin, com pouca experiência prática política e econômica.

É o arco que, na minha opinião, apresenta a melhor OST do drama: “Whispers In The Mist”, interpretada por Nunew e JJ. A música da revolução, que me emocionava sempre.

Sobre a trama principal, o final seguiu o tradicional conto de fadas: romântico e perfeito.
Um pedido de casamento incrível, com um anel gigantesco, mantendo a atmosfera ostentosa da produção. Trouxe uma mensagem final sobre respeito e amor livre, um tema que percorreu a narrativa de forma discreta, quase subliminar.

Minha conclusão final:

É uma obra boa. Apresenta todo o potencial audiovisual tailandês, mostrando que, com o devido investimento, é possível trazer narrativas queer que vão além de plots absurdos, surrealistas ou quase pornográficos. Apesar de não apresentar a profundidade de debate que me foi prometida ao longo da narrativa, esse romance leve aquece o coração e faz a gente se iludir com um conto de fadas que nunca viveremos – escapando da triste realidade que é ter um relacionamento saudável nos dias de hoje.

Nota final: 8,5

Comentários

  1. Concordo com as coisas que vc pontuou. Achei pra questão ambiental foi interessante a decisão do Khanin ir estudar mais para contribuir melhor no futuro, também achei ruim a decisão da Ava de participar da disputa.
    Outra coisa que achei que faltou encerramento foi a traição do 4 príncipe, porque apesar do método ser deplorável, as questões dele eram legítimas e aparentemente nenhum dos irmãos ajudou e sim piorou a situação vendendo remédio e purificador que não funcionavam e ele foi o único penalizado e morreu.
    O que eu menos gostei no final é que tanto o Khanin quanto o Charan abdicaram das suas posições para ficarem juntos, como se eles tivessem que escolher entre ser quem são ou cumprir suas funções naquela sociedade.

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    1. Eu concordo! E eu acho que foi o que mais aconteceu nesse drama: pessoas desistirem de seus postos para seguirem suas vidas mais livre. Mas se eles que estão na posição de poder não enfrentam o sistema para construir um mundo mais livre pra todos, quem que vai? No fim, tirando o pai do Khanin, tudo ficou como era antes.

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  2. Gostei muito das coisas que você pontuou. Inclusive, estava achando que só eu estava percebendo algumas faltas. Eu gostei muito de toda a série e a forma que vários assuntos importantes foram abordados, mas acho que teria muito mais sentido se o episódio final fosse dividido em dois. Algumas coisas foram esquecidas.. acho que seria incrível a princesa Ava sendo presenteada com um cargo novo criado pra ela e que cuidasse dos direitos igualitários entre gêneros. Seria muito interessante o príncipe Kevin, abrindo mão do trono pro seu irmão preterido e se dedicando à arte e questões ambientais junto ao seu amor. E quanto ao Ramil, poderia ter aí uma cena dele renegando o poder em público, ficando por fora das decisões políticas e vivendo tranquilamente com o Paytai. E ainda digo mais, Khanin e Charan poderiam voltar ao reino anos depois pra colaborar de fato com questões políticas ambientais. Enfim, pra mim, o drama foi muito bom, mas o fim deixou um pouco a desejar.. faltou um desfecho mais “fechado”.

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    1. Total! Eles cultivaram todo esse sentimento revolucionário no espectador, mas o final foi frio, sem nenhuma visão de mudança concreta.

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  3. Que gostosa essa leitura...como sempre, uma visão clara, com detalhes importantes e imparciais da obra. É sempre bom ver através da sua opinião Flash. Ah! Estava com saudades da sua avaliação por nota, 8,5 foi justo

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